Samarco não consegue parar o vazamento de lama no Rio Doce

(Foto: Reprodução)

O jornal Folha de S.Paulo publicou na última sexta-feira (25) uma reportagem que revela a ineficácia das ações da mineradora Samarco para interromper o vazamento de lama no Rio Doce, após quase cinco meses da ruptura da barragem de Fundão, em Mariana (MG).

A Folha obteve acesso as transcrições das escutas telefônicas, feitas com ordem da Justiça pela Polícia Federal, de diretores da Samarco, sob a suspeita de que eles omitiam informações na investigação sobre as responsabilidades no desastre.

Segundo a reportagem, nas conversas dos dias 16 e 17 de janeiro, entre o funcionário Samuel e o coordenador de monitoramento da Samarco, Wanderson Silvério Silva, a lama ainda se deslocava em ondas de três metros – dois meses após a tragédia – fazendo com que as obras de contenção e reparo não fossem suficientes para impedir o vazamento.

“Estamos dando um passo para frente e dois para trás”, afirmou o funcionário na conversa. Em resposta, Wanderson afirma que não sabe o que fazer e que está preocupado, já que partes de Fundão “simplesmente desmanchavam”.

O coordenador da Samarco se refere ao tombamento de um dos três diques construídos pela mineradora para conter os rejeitos da barragem, após a tragédia, devido à força da lama. Após a queda do dique, que foi reerguido, mas foi encoberto da lama de novo; enquanto o segundo, pouco antes de Bento Rodrigues, conseguiu conter apenas parte dos rejeitos.

O documento também mostra que, no dia 16 de janeiro, houve um alto risco de rupturas e a Samarco teve que interromper as obras de contenção. Enquanto no dia 27 do mesmo mês, houve outro vazamento que suspendeu os trabalhos na barragem.

Para um dos coordenadores de emergência ambiental do Ibama, Marcelo Amorin, os cálculos da mineradora subestimaram a quantidade de lama em período chuvoso.

Questionada pela Folha, a Samarco afirmou em nota que “sedimentos misturados à água da chuva, que vem sendo registrada acima da média histórica”, têm sido carregados para fora da área da barragem de Fundão, em Mariana (MG). E que “para conter esse carregamento e melhorar a qualidade da água que chega aos cursos de água, a empresa construiu três diques sendo o último entregue em fevereiro, abaixo da barragem de Santarém”.

A empresa ainda reiterou que segue rigorosamente o procedimento de emergência e afirmou que envia relatórios de monitoramento diariamente aos órgãos competentes. Sobre as escutas telefônicas, a Samarco não quis se pronunciar a respeito.

Para ler a matéria da Folha na íntegra, acesse: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/03/1753984-apos-quase-5-meses-de-tragedia-lama-ainda-vaza-de-barragem-em-mariana.shtml