Sexta-feira 13: a lama continua

A sexta-feira (13)promete ser de tristeza e agonia nas regiões afetadas pela lama das barragens da mineradora Samarco. Continuam as buscas pelos desaparecidos, as pessoas choram perdas, pensam em como recomeçar e contabilizam danos materiais, pessoais, afetivos e ambientais.

As notícias da Sexta 13, de Lua Nova, continuam com a mancha da lama, repleta de rejeitos.

Contaminação e Arca de Noé

Amostras da enxurrada de lama foram coletadas cerca de 300 km depois do distrito de Bento Rodrigues apontam concentrações absurdas de metais como ferro, manganês e alumínio. A água coletada pelo SAAE (Serviço de Água e Esgoto) de Valadares aponta um índice de ferro 1.366.666% acima do tolerável para tratamento – um milhão e trezentos mil por cento além do recomendado, segundo relatório enviado à reportagem do R7. Os níveis de manganês, metal tóxico, superam o tolerável em 118.000%, enquanto o alumínio estava presente com concentração 645.000% maior do que o possível para tratamento e distribuição aos moradores. As alterações foram sentidas a partir de 8h, enquanto o pico de lama tóxica ocorreu às 14h no rio Doce.

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Espírito Santo iniciaram na noite de ontem (12) uma operação com o apoio de pescadores e entidades ambientais para a coleta de peixes do Rio Doce, em Colatina (ES), para evitar a extinção de 100% das espécies que habitam o leito do rio com a chegada da lama.

A operação, denominada “Arca de Noé”, leva os animais  para lagoas em Colatina e em Linhares (ES) e, possivelmente, locais próximos a uma hidrelétrica em Baixo Guandú (ES).

Envolvimento na política mineira

Ainda o portal de notícias R7 informa que uma investigação paralela da Assembleia Legislativa sobre o maior desastre ambiental de Minas pode esbarrar no lobby das mineradoras. Entre os 20 parlamentares titulares e suplentes que vão apurar o desastre, 17 declararam doações de mineradoras nas eleições do ano passado que totalizam R$ 1.577.532 em recursos diretos ou indiretos, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Um milhão e meio de reais para investigadores da tragédia que pode alterar a legislação do setor no Brasil.

Os deputados já desistiram da criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), que foi cogitada após o rompimento, e formaram a Comissão Extraordinária das Barragens, com menor poder de decisão – que não pode quebrar sigilo nem obrigar o comparecimento de investigados.

LAMA DA SAMACO VALE R$ 250 MILHÕES EM MULTA AMBIENTAL

É difícil quantificar, precificar ou avaliar profundamente que tipo de valor se pode aplicar para uma tragédia ambiental de tamanhas proporções causadas pela  mineradora Samarco, responsável pela catástrofe em Mariana (MG). Mas o Ibama nesta quinta-feira (12/11), resolveu aplicar multas em R$ 250 milhões.

Os danos decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, da mina Germano, resultaram até o momento em cinco autos de infração no valor de R$ 50 milhões cada.

O volume despejado no trajeto que atravessa estados foi estimado em 50 milhões de metros cúbicos (quantidade que encheria 20 mil piscinas olímpicas). Os distritos de Bento Rodrigues e Barra Longa foram soterrados pela onda, composta principalmente por óxido de ferro e sílica (areia). Até o momento foram confirmadas oito mortes e há pelo menos 19 desaparecidos.

A Samarco foi autuada por causar poluição hídrica; tornar áreas urbanas impróprias para ocupação humana; causar interrupção do abastecimento público de água; lançar resíduos em desacordo com as exigências legais; e provocar a mortandade de animais e a perda da biodiversidade ao longo do Rio Doce, resultando em risco à saúde humana.

Os dirigentes da Samarco foram notificados e terão vinte dias para pagar as multas com 30% de desconto ou recorrer administrativamente.