Síria assinará Acordo de Paris e estados americanos vão bancar os EUA na COP. Mais uma derrota para Trump?

(Foto: Gage Skidmore/ Wikimedia Commons)

A Comissão da Síria anunciou, nesta terça-feira (07), que o país assinará o Acordo de Paris durante a Conferência do Clima (COP23) e pretende ratificar o documento nos próximos meses.

“O representante sírio indicou que uma lei foi adotada (por seu país) com vistas a ratificar o Acordo de Paris”, disse Cynthia Elliott, da organização World Resources Institute (WRI).

“Eles enfatizaram que todos os países têm uma responsabilidade, mas também mencionaram sua intenção de se concentrar em suas prioridades nacionais, incluindo a reconstrução no pós-guerra”, complementou.

Desde 2012, a Síria enfrenta uma guerra civil que já deixou mais de 300 mil pessoas mortas. Com a entrada dos sírios e a decisão da Nicarágua em permanecer no tratado climático, o presidente americano Donald Trump se tornará o único líder a rejeitar o documento.

Em junho, Trump anunciou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, por ser um tratado injusto e prejudicial à economia, além de tornar o país vulnerável.

A medida não foi recebida com surpresa. Desde a sua campanha eleitoral, o americano se mostrou cético sobre a influência das ações humanas no aquecimento do planeta e prometeu desmantelar a Agência de Proteção Ambiental (EPA, sigla em inglês).

“Quando até mesmo a Síria, com todos os seus problemas, compreende a importância de um acordo climático mundial, isto mostra como o Partido Republicano nos Estados Unidos está comprometido ideologicamente com a negação climática”, avaliou Mohamed Adow, da ONG Christian Aid.

Líderes americanos vão contra Trump

Enquanto as convicções de Trump o isolam dos outros líderes globais, diversos americanos reforçarão o seu comprometimento com o Acordo de Paris e a sua oposição ao presidente durante a COP23.

Na próxima quinta-feira (09), será inaugurado na conferência o Centro de Ação Climática dos EUA, um pavilhão em que líderes americanos apresentarão propostas para agir contra o aquecimento do planeta em painéis e fóruns.

Organizado pelo movimento We Are Still In e mais 40 organizações, o Centro reunirá governadores, prefeitos, legisladores estaduais, membros do conselho da cidade, universidades, empresas e investidores.

Entre os líderes confirmados estão: o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, o governador Jerry Brown (Califórnia), a governadora Kate Brown (Oregon), o governador Jay Inslee (Washington), o senador Jeff Merkley (Oregon), o senador Ben Cardin (Maryland) e o senador Sheldon Whitehouse (Rhode Island).

A abertura do Centro de Ação Climática dos Estados Unidos será transmitida ao vivo pelo site: https://livestream.com/nexusmedia/usclimateaction

** Com informações da AFP