Editorial: Injustiça

Editorial

Não sei se os 155 bilhões de reais são suficientes para cobrir os danos físicos, materiais, as vidas e sonhos que se perderam em meio da lama de rejeitos com o rompimento da barragem da Samarco em Mariana. O cálculo feito pelo Ministério Público Federal em ação civil divide as responsabilidades monetárias entre empresa, sócios, Estado e União.

Seis meses depois da tragédia, começa uma batalha jurídica que levará anos para uma solução, ou vocês acreditam numa rápida decisão?

Para que se tenha uma idéia, logo após os fatos a Polícia Civil da cidade abriu dois inquéritos para apurar as responsabilidades criminais e ambientais e tudo está parado.

Uma liminar do Superior Tribunal de Justiça impede qualquer ação da Polícia e do Ministério Público, até que se decida se as investigações devem ser feitas pelo estado de Minas Gerais ou pela União. Quando tivermos uma decisão, talvez provas e indícios já tenham desaparecido, pois quem conhece um pouco sobre investigação sabe que cada dia perdido é uma prova que desaparece.

Estamos presos aos formalismos da Lei.

Observando os relatos sobre a situação dos lugares atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, sem dúvida, estamos diante de processos intermináveis que favorecem aos criminosos e não trarão solução breve para os diretamente envolvidos na tragédia.

Daqui alguns anos, poderemos escrever alguma coisa como:

“Era uma vez, numa histórica cidade de Minas Gerais, uma avalanche de detritos cobriu lugares, matou pessoas, destruiu o meio ambiente. As autoridades sobrevoaram o lugar, prometeram providencias. O mundo ficou indignado, com a maior tragédia ambiental do Brasil, afinal adoramos ser o maior do mundo em qualquer coisa. Hoje a lama secou e tudo virou pó.”

Justiça que se perde no tempo e no formalismo, é INJUSTIÇA.

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